CONSIDERAÇÕES SOBRE A DIVISÃO SOCIAL DO PODER A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA DE GÊNERO

Eddla Karina Gomes Pereira

Resumo


A cultura androcêntrica, ao constituir padrões valorativos subordinantes às mulheres, foi responsável pelo estabelecimento de um sistema de hierarquias. A sociedade moderna, ao assumir valores masculinos, fomentou relações sociais desiguais que, transmitidas culturalmente, criaram hierarquias entre homens e mulheres no contexto social, político, econômico, familiar. A partir da década de 60, sobretudo, transformações culturais, no mercado de trabalho, na economia, na política, provocaram a necessidade de desconstruir a lógica androcêntrica predominante tradicionalmente. A pretensão de neutralizar essas relações de poder passou a ser um objetivo perseguido, inclusive, pelo próprio poder público. A própria ordem jurídica brasileira, ao legitimar relações hierárquicas sexistas e as reproduzir tradicionalmente, também representou um instrumento de opressão, e reforçou os estereótipos construídos que restringiam a função social feminina.  Diante do visível contexto de discriminação de gênero, se suscitou a inserção de políticas sociais capazes de viabilizar uma realidade jurídico-social mais igual e, portanto, mais justa à luz da lógica dos direitos humanos. Para tanto, além de maior representatividade dos valores femininos, é preciso desconstruir determinadas posturas assumidas pelo próprio poder público. Nesse sentido, é imperiosa a adoção de políticas que considerem os processos históricos de marginalização aos quais vários grupos sociais foram submetidos, para que haja uma efetiva redistribuição do poder social.


Palavras-chave


Feminismo. Cultura. Androcentrismo.

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